Homens Procurando Sereias
Desde que o primeiro homem olhou para o mar e percebeu que ele não tinha fim, nasceu uma inquietação.
Não era apenas curiosidade geográfica, mas uma fome antiga, quase sagrada. O oceano parecia guardar algo que a terra não podia oferecer: silêncio, profundidade, mistério.
E foi ali, entre o horizonte e o medo, que surgiram as sereias — não como criaturas de carne e escamas, mas como ideias vivas, chamados invisíveis, promessas de algo que falta.
Os homens sempre procuraram sereias.
Não todos com barcos. Alguns as buscaram com palavras.
Outros com guerras.
Muitos com fé.
Outros tantos com poesia, música, ciência, religião ou loucura.
A sereia, nesse sentido, nunca foi apenas um ser do mar.
Ela foi o símbolo do que escapa, do que não se domina, do que não se compra, do que não se explica.
A Origem da Busca
Os antigos diziam que as sereias cantavam. Mas o canto não era armadilha vulgar — era verdade demais para ouvidos despreparados.
O homem que ouvia não enlouquecia por desejo carnal, mas por reconhecimento. Algo dentro dele dizia: isso me pertence, mas eu perdi.
Assim, reis enviaram expedições. Pescadores ficaram noites inteiras em silêncio.
Monges rezaram para resistir ao chamado.
Filósofos escreveram tratados tentando negar sua existência.
Cientistas juraram que tudo não passava de ilusão óptica.
Mas, curiosamente, ninguém deixou de procurar.
Porque a busca pela sereia nunca foi sobre encontrá-la.
Foi sobre não suportar um mundo totalmente explicado.
O Homem e o Mar
O mar sempre foi o espelho mais honesto do homem.
Ele reflete grandeza e insignificância ao mesmo tempo.
Diante dele, o homem é pequeno, frágil, temporário.
Talvez por isso as sereias habitem ali — no lugar onde o ego se dissolve.
Os homens que procuram sereias costumam carregar algo em comum:
Uma perda não nomeada
Um vazio que não se preenche com poder
Uma saudade de algo que nunca viveram
Eles caminham pelas praias como quem espera uma resposta. Olham para as ondas como quem lê um texto sagrado em língua desconhecida.
Não querem apenas ver a sereia — querem ser vistos por ela.
Sereias como Arquétipo do Feminino Profundo
A sereia não é a mulher domesticada, previsível, moldada para caber.
Ela é o feminino indomável, livre, profundo, ancestral.
Metade humana, metade natureza. Ela pertence a dois mundos e não se submete totalmente a nenhum.
Por isso tantos homens a procuram.
E por isso tão poucos a encontram.
Encontrar uma sereia exige mais do que desejo. Exige:
Escuta
Silêncio
Vulnerabilidade
Coragem para perder o controle
A maioria dos homens quer conquistar.
A sereia não é conquistável.
Ela só aparece para quem abandona a ânsia de possuir.
Os Que Se Perderam na Busca
Há histórias de homens que nunca voltaram.
Não porque morreram no mar, mas porque não conseguiram mais viver na superfície.
Depois de ouvir o canto — mesmo que por um segundo — a vida comum parece ruidosa, rasa, apressada demais.
Esses homens tornaram-se errantes.
Alguns viraram poetas incompreendidos.
Outros, velhos solitários à beira-mar.
Alguns criaram religiões.
Outros, se tornaram perigosos tentando dominar aquilo que não entenderam.
A sereia não destrói.
Ela revela.
E nem todos suportam o que veem.
A Busca Moderna
Hoje, os homens ainda procuram sereias, mas chamam por outros nomes:
Mulher ideal
Amor verdadeiro
Iluminação
Sucesso absoluto
Sentido da vida
Trocaram os barcos por telas.
As bússolas por algoritmos.
Os mitos por teorias.
Mas o vazio é o mesmo.
A diferença é que o mar agora está dentro deles, e o canto vem em sonhos, crises, silêncios longos, insônias inexplicáveis.
Quando a Sereia Não Aparece
Há um momento crucial na jornada: quando o homem percebe que talvez nunca veja uma sereia. Esse instante separa dois destinos.
Alguns endurecem.
Negam. Zombam do mito. Dizem que tudo não passa de fantasia infantil.
Outros amadurecem.
Compreendem que a sereia não é um prêmio, mas um processo.
Que procurá-la já os transformou. Que ficaram mais atentos, mais sensíveis, mais humanos.
Esses homens voltam diferentes.
Não porque encontraram a sereia,
mas porque o mar os atravessou.
A Verdade Final do Mito
No fim, o maior segredo é este:
As sereias não existem para serem encontradas.
Existem para que os homens não se tornem secos, duros, vazios.
Enquanto houver homens olhando para o horizonte, perguntando-se se há algo além, as sereias continuarão vivas — cantando não para atrair corpos, mas para acordar consciências.
E talvez o verdadeiro encontro aconteça quando o homem percebe que a sereia que procura fora é, na verdade, a parte profunda que ele esqueceu dentro de si.
Um só caminho, uma só direção.
⁹ Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força
1 Samuel 2:9
O Maior projeto de educação do Brasil.
Arena dos Sonhos, Estrelas do Amanhã.
TODOS DOAÇÕES VÃO PARA O PROJETOTAMPINHAS QUE CURAM COMBATE AO CÂNCER INFANTIL.
DOAR E UM ATO DE AMOR
Pix 11982467062
Um só caminho, uma só direção.
⁹ Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força
1 Samuel 2:9
O Maior projeto de educação do Brasil.
Arena dos Sonhos, Estrelas do Amanhã.
TODOS DOAÇÕES VÃO PARA O PROJETO
TAMPINHAS QUE CURAM COMBATE AO CÂNCER INFANTIL.
DOAR E UM ATO DE AMOR
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