05 de fevereiro — uma crônica sobre o amor que ficou
Não foi um dia comum.
05 de fevereiro não amanheceu diferente, não houve sinal no céu, nem aviso prévio da vida.
Ainda assim, foi o dia em que conheci o amor da minha vida.
E isso muda tudo — mesmo quando nada fica como deveria.
Ela apareceu com a naturalidade das coisas verdadeiras.
Linda, sim. Maravilhosa, também. Mas essas palavras, sozinhas, são pequenas demais.
A beleza dela não gritava; ela repousava.
Estava no jeito de olhar sem pressa, de sorrir como quem compreende o mundo, de existir sem pedir licença.
Havia nela uma harmonia rara, dessas que não se explicam — apenas se sentem.
Conversamos como quem continua um diálogo interrompido em outra vida.
Não houve esforço, nem encenação.
Tudo parecia encaixar com uma precisão quase injusta.
Naquele encontro, senti algo que só se sente poucas vezes: o coração reconhecendo um lugar seguro antes mesmo da razão permitir.
E é estranho como o amor verdadeiro não chega com promessas, mas com silêncio.
Um silêncio confortável, cheio de sentido. Um silêncio que diz: é aqui.
Mas a vida — essa especialista em desvios — não respeitou a poesia do momento. Havia circunstâncias. Havia caminhos já traçados.
Havia medos disfarçados de escolhas. E, aos poucos, o que era presença virou distância. O que era possibilidade virou lembrança. Hoje, não estou com ela.
Ainda assim, ela ficou.
Ficou no modo como passei a observar as pessoas.
Ficou no cuidado maior com as palavras.
Ficou no padrão elevado do que chamo de amor.
Alguns amores não vêm para permanecer, mas para revelar.
Revelar que somos capazes de sentir fundo. Que ainda sabemos tremer por dentro. Que não estamos tão endurecidos quanto pensávamos.
05 de fevereiro não dói como uma ferida aberta.
Dói como uma saudade madura.
Daquelas que não sangram, mas pesam.
Não gritam, mas acompanham.
É a dor elegante de quem amou algo raro e não banalizou a perda.
Ela segue linda. Maravilhosa.
Não porque está comigo,
mas porque existiu — e isso ninguém apaga.
E se o destino não permitiu que nossas mãos permanecessem juntas, permitiu algo igualmente poderoso:
a certeza de que o amor, quando é real, transforma até a ausência em sentido.
Há datas que não se comemoram.
Se respeitam.
05 de fevereiro é uma delas.








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